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Tour guiado leva participantes a uma imersão na história de Cuiabá
O Cine Teatro Cuiabá, no Centro Histórico da capital, será o ponto de partida de uma imersão pela história, cultura e patrimônio local. Prestes a completar 307 anos, Cuiabá guarda testemunhos valiosos dos séculos passados, presentes em edificações, objetos e tradições preservadas por seus habitantes.
Essas memórias serão exploradas em um tour de visitação guiada, atividade que encerra a sexta edição do curso gratuito “Educação Patrimonial: Conhecer para Preservar”, que reuniu cerca de 300 participantes de Mato Grosso, de outras regiões do país e até de países como Bolívia e República Dominicana.
A visita técnica inclui, além do Cine Teatro, o Grupo Flor Ribeirinha e o Museu de História Natural de Mato Grosso. Segundo a coordenadora do curso e diretora-executiva da Ação Cultural, Viviene Lozi, a atividade adota uma abordagem qualitativa de pesquisa de campo, com observação sistemática e interpretativa dos fenômenos culturais.
Durante a aula prática, os alunos aplicam metodologias aprendidas ao longo do curso, realizando diagnósticos de campo com registro, interpretação e análise de dimensões institucionais, educativas, sociais e patrimoniais dos espaços visitados. A proposta dialoga com perspectivas etnográficas, museologia social e princípios de inventário participativo do IPHAN.
Outra coordenadora, Denise Argenta, destaca que o curso teve 180 horas de aulas teóricas e práticas, em formatos presencial e virtual, divididas em seis módulos. “Construímos uma didática voltada à formação de multiplicadores, com especialistas do Brasil e do exterior, valorizando também profissionais que atuam no Estado”, afirma.
Antes da imersão, os participantes concluem o penúltimo módulo, com aulas de especialistas como a pesquisadora indígena Isabel Taukane, do povo Kurâ-Bakairi, e o museólogo Átila Tolentino, da IBRAM.
Tolentino aborda o tema “Museologia social, memória e educação”, em aula nesta sexta-feira (20), das 9h às 18h. Já Isabel Taukane encerra o módulo com a temática “Patrimônio Cultural Indígena – Decolonialidade e curadorias compartilhadas”.
O museólogo destaca que a proposta é promover uma reflexão sobre conceitos fundamentais da educação patrimonial, como cultura, memória, identidade e patrimônio. Já a pesquisadora indígena propõe uma abordagem crítica que rompe com visões tradicionais e coloniais, valorizando conhecimentos baseados na oralidade, espiritualidade e na relação com o território.
Após a etapa de aulas, os participantes desenvolvem o trabalho final, requisito para certificação. As produções serão reunidas em uma publicação gratuita ao público.
De acordo com o professor Renato Fonseca, da UNEMAT, os trabalhos incluem estudos de caso, ensaios críticos, propostas de educação patrimonial, registros fotográficos e diagnósticos culturais.
O curso é um projeto da Ação Cultural, realizado em parceria com a SECEL, o Conselho Estadual de Cultura de Mato Grosso, a UNEMAT e o IPHAN-MT.